Transformar práticas sustentáveis já adotadas no dia a dia em critérios reconhecidos internacionalmente pode aumentar a credibilidade dos empreendimentos turísticos e abrir portas para novos mercados.
O tema foi discutido nesta terça-feira (29.09), durante o ConservAção MS, com a participação da turismóloga e consultora de Inovação e Turismo do Senac MS, Camila Fernandes, que apresentou como a instituição auxilia empresas sul-mato-grossenses a se prepararem para esse processo.
Camila participou do painel “Certificação Internacional como ferramenta estratégica de posicionamento para empreendimentos de turismo verde e seus impactos no MS”, ao lado do presidente da Green Destinations Foundation, D'Arcy Dornan, e do diretor-executivo do Parque Ecológico Rio Formoso, Bruno Miranda. O debate reuniu três pontos do processo: os critérios internacionais de sustentabilidade, a preparação técnica das empresas e a experiência prática de um empreendimento que passou pela certificação.
Durante o encontro, Camila mostrou como as metas globais de sustentabilidade podem sair do campo conceitual e chegar à rotina das empresas por meio de critérios objetivos. O Senac MS atua justamente nessa etapa, com consultorias que fazem o diagnóstico dos empreendimentos e os auxiliam na preparação para atender às exigências da certificação Good Travel Seal, da Green Destinations.
“As ODSs são os temas globais, são as metas globais, é uma agenda institucional. Os empresários estão na operação no dia a dia, preocupados com clientes, colaboradores e financeiro, e acaba que essas ODSs ficam muito distantes da realidade deles. A certificação faz essa ponte, porque traz os critérios práticos que os empresários precisam construir para atender essas ODSs”, explica Camila.
O trabalho é realizado por três consultores credenciados junto à Green Destinations. A primeira etapa é um diagnóstico para identificar em que nível o empreendimento se encontra em relação aos critérios de sustentabilidade. A partir desse levantamento, é definida a quantidade de horas de consultoria e elaborado o acompanhamento necessário para preparar a empresa para o processo de certificação.
Para Camila, o desafio em Mato Grosso do Sul não começa necessariamente pela adoção de práticas sustentáveis. Há empresas que já incorporaram essas iniciativas à própria operação, mas ainda precisam organizar processos, indicadores e evidências para transformar aquilo que fazem em um reconhecimento formal.
“A gente tem um trabalho muito grande de sensibilização, tanto com os empresários quanto com a gestão pública. Tem muita empresa que já tem um trabalho por DNA mesmo, mas ainda precisa ter uma conversão para a certificação, para passar por esse processo”, afirma.
Essa experiência já pode ser observada em empreendimentos turísticos do Estado. O Parque Ecológico Rio Formoso, em Bonito, passou pela certificação Good Travel Seal depois de já possuir outros reconhecimentos ambientais. Segundo o diretor-executivo do empreendimento, Bruno Miranda, o processo exigiu uma nova revisão das práticas internas e contribuiu para elevar os padrões da operação.
“Foi diferente de outros porque todos aqueles critérios, toda aquela metodologia levantou muito a régua do nosso atrativo, forçou a gente a rever vários processos e também melhorar vários processos, mesmo já tendo outras certificações. E o legal da Good Travel Seal é que você fica com um relatório que te ajuda muito depois. Isso, para mim, foi um grande diferencial”, relata.
Além do diagnóstico interno, a certificação pode funcionar como instrumento de posicionamento diante de um público que considera critérios ambientais e sociais na escolha dos destinos e serviços turísticos. A proposta é fazer com que as boas práticas sejam verificáveis e reconhecidas, aumentando a diferenciação dos empreendimentos e a visibilidade junto a esse mercado.
O presidente da Green Destinations Foundation, D'Arcy Dornan, que também participou do ConservAção MS, destacou o avanço do processo no Estado e a presença de empreendimentos que já possuem ou estão buscando o Good Travel Seal.
“Foi um prazer participar do ConservAção e ter a oportunidade de voltar a Mato Grosso do Sul e encontrar tantas empresas que já estão com o nosso Good Travel Seal ou estão no processo. A participação neste evento foi muito importante para dar suporte e destacar os sucessos que estão acontecendo no Estado”, afirmou.
Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, a certificação também deve ser compreendida como uma ferramenta de gestão e competitividade, especialmente em um Estado no qual o turismo de natureza ocupa posição estratégica.
“Quando uma empresa consegue comprovar suas práticas por meio de critérios reconhecidos internacionalmente, a sustentabilidade deixa de ser apenas um posicionamento e passa a agregar valor ao negócio. A consultoria do Senac ajuda o empresário a entender o que precisa ser aprimorado, organizar seus processos e se preparar tecnicamente para a certificação. É um trabalho que fortalece o empreendimento e contribui para tornar Mato Grosso do Sul cada vez mais competitivo no turismo sustentável”, afirma.
O Sistema Comércio MS é composto por Fecomércio MS, Sesc MS, Senac MS, IPF e sindicatos empresariais. A entidade é presidida por Juliano Wertheimer e administrada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.